De encontro ao momento político atual me surpreendo com a popularidade da Presidente Dilma Roussef que anda sempre entre os 70% e 80% nos últimos meses. Sei que estarei contrariando boa parte dos brasileiros que dão esta alta aprovação à Presidente, mas exporei aqui os meus motivos.
Não que eu não ache que não existem avanços positivos nesse governo, existe um trabalho contínuo e comprovado de redução da miséria e das desigualdades sociais que vem sendo feito desde o governo do Presidente Lula; além disso é reconhecível o esforço da Presidente e de sua equipe econômica em equilibrar os fatores econômicos de emprego, produção, inflação, juros; tudo isso na busca de um crescimento econômico que sustente a melhoria do país em todos os setores.
O grande problema advém que apesar de todo esforço o crescimento do país em 2012 foi de cerca de 1%, bem abaixo do esperado pelo governo e pelo mercado o que implica que apesar de toda prioridade dada para a área pelo governo ele não teve êxito. A parte da melhora dos dados sociais comprovados pelo IBGE, como visto, não houve nesse governo também grandes inovações, sendo apenas a continuação e ampliação de um processo em andamento que aparentemente qualquer um que fosse eleito tocaria. Enquanto isso, por imobilismo do executivo, do legislativo e algumas vezes até do judiciário diversos graves problemas do Brasil são deixados de lado por nossos políticos.
Começo pelos três problemas básicos do cidadão comum; a saúde, a educação e a segurança. A saúde pública, é até irônico ter esse nome, não se enquadra nos mínimos padrões de atendimento, o acesso em todo o país é péssimo, praticamente não existe prevenção, o SUS trabalha sobrecarregado e emergencial, com emergências e UTI's lotadas, enquanto isso as consultas e prevenções na base são esvaziadas tornando um sistema caro e ineficiente que não atende regularmente nem 1/6 dos seus segurados e não houve e nem há projetos e políticas à vista para melhorar esse quadro trágico.
A educação em que se alega avanços é uma das piores do mundo quando comparada a de outros países, sobretudo na educação básica. As escolas públicas país afora ostentam estado lastimável de estrutura e os professores, sem incentivo, ganham salários miseráveis, o que não colabora sequer com a manutenção do número de professores devido ao grande desinteresse dos mais jovens pelo magistério. De onde o governo imagina que vai tirar gente para promover o real crescimento e desenvolvimento tecnológico do país se não investir em educação? Da maneira em que se encontra o setor seremos eternos exportadores agrícolas e de matérias primas sem jamais alcançar de fato um desenvolvimento pleno e sustentável.
A segurança pública é outro nó que o Governo Federal insiste em não desfazer por uma mesquinha questão política chamada cálculo eleitoral, explico: é muito mais fácil apontar o dedo e falar que a área de segurança pública é de responsabilidade dos Estados, permitindo com isso a morte e a insegurança de milhões de brasileiros, que liderar um processo de reforma das polícias e revisão da legislação, além de assumir de fato sua responsabilidade pela vigilância das fronteiras por onde entram as armas e drogas ilícitas que fazem o Brasil viver em cada Estado da Federação uma guerra civil velada com a morte de milhares de pessoas todos os anos. Num processo grandioso deste os "gênios" da política imaginam que o possível desgaste do governo em liderar um processo dessa magnitude seria muito maior que deixar tudo como está.
Porém eu creio e esperamos que com a epidemia de violência que se abate por todos os Estados e centros urbanos do país a Presidente Dilma acorde e tome alguma providência, que o Congresso Nacional saia da inércia e também faça alguma coisa: afinal, de que adianta um país com crescimento econômico (que não temos a contento), educação (que não temos a contento) e saúde (que não temos a contento) se o cidadão sair na rua com seu dinheiro, com seu nível superior, com sua saúde de ferro e leve um tiro na cabeça na primeira esquina?
Nenhum comentário:
Postar um comentário